A situação da greve dos
Professores que aconteceu hoje relativamente aos exames nacionais de Português
tem muitas vertentes, muitas perspetivas e pouquíssimo bom senso. Tanto da
parte do Governo, em especial do Ministro da Educação como dos Sindicatos que
representam os Professores. Analisemos, primeiro, a “luta” que há entre
Professores e Governo, porque é devido a isso que a greve aos exames nacionais
foi convocada. As terríveis medidas de
austeridade e a pseudo reforma do Estado que o Governo quer implementar, vai
fazer com que muitos funcionários públicos (ou seja, inclui Professores) sejam
colocados na mobilidade especial ou que a partir de Setembro, muitos deles já
não tenham trabalho e portanto são atirados para o desemprego e aumentem a
taxa que já por si é elevadíssima e incomportável para uma Sociedade onde se
fomente o bem-estar. Devido a isto e à
insegurança com que esta profissão está a ser vista por quem a pratica, os Sindicatos
que a representam e defendem os seus direitos, decidiram marcar uma greve aos
exames nacionais, ou seja, última fase importante já depois de acabar o ano
letivo. Perguntam, mas não era melhor fazer no início do próximo ano letivo?
Era, mas muitos dos Professores (como já referi) estarão já eles no desemprego
nessa altura.
Uma greve serve para causar danos, sejam eles quais forem. Na
negociação entre Governo e Sindicatos, não existiu bom senso, nem de um lado,
nem de outro. A greve aos exames nacionais prejudica, na sua maioria, os
alunos e as suas famílias. Estes exames servem de acesso ao ensino superior,
portanto são de grande importância para todos os que o fazem. Daqui, sobressai,
que o Governo (porque é quem tem que gerir a Escola Pública) e em especial o Ministério
da Educação não souberam gerir este problema. O ministro tentou negociar a
greve alterando o dia dos exames. Mas o
que está em questão não é negociar a greve, é negociar as medidas de
austeridade que vão afetar muitos Professores e que os obrigou a fazer a greve.
Negociar as condições que levaram à greve é diferente de negociar uma greve.
Negociar a própria greve é de uma hipocrisia sem limites pois não há coragem
política de negociar as medidas que vão ser implementadas pelo Ministério das
Finanças e que, essas sim, levaram à convocação da greve.
Dito isto, os Professores estão a
proteger o seu posto de trabalho, participando na greve aos exames nacionais
para mostrar ao Governo que estão contra as medidas que estes querem
implementar e que os vão afetar de sobremaneira. A greve não pode ser inócua, tem que ter impacto. O Governo quer levar a dele à avante e
queria negociar uma nova data para os exames e não as condições que levaram os
Professores a fazerem greve. A gestão deste problema tem que pertencer ao Ministro
da Educação. Pedir isto, parece que é pedir muito e quem sai prejudicada do
que se está a passar é a Escola Pública e principalmente os alunos. Quando realizei
há uns anos os exames nacionais, lembro de ser uma época tranquila no que diz
respeito a estes problemas mas pelo que me dá a entender, os alunos que hoje em
várias escolas invadiram salas de aula onde se estavam a realizar exames
enquanto noutras não poderiam ser realizados, estavam a protestar contra o
Governo, o mesmo que os mandou emigrar não há muito tempo. Todos os lados da questão têm que ser acautelados, sendo de principal
importância os alunos, mas referir que os Professores, que em Setembro muitos
deles já nem sabem se têm emprego, são os culpados por não se interessarem
pelos alunos e pelo seu futuro, parece-me exagerado quando temos um Governo que
se diz a salvar Portugal e a lutar pelo seu futuro, com medidas de austeridade
absurdas, sem resultados, colocando de forma constante, ansiedade e desespero na
Sociedade e, sobretudo, naqueles que são os protagonistas (os Professores) no
ensino dos jovens que serão, um dia, o futuro de Portugal.