segunda-feira, 17 de junho de 2013

Bom senso? Ora...



A situação da greve dos Professores que aconteceu hoje relativamente aos exames nacionais de Português tem muitas vertentes, muitas perspetivas e pouquíssimo bom senso. Tanto da parte do Governo, em especial do Ministro da Educação como dos Sindicatos que representam os Professores. Analisemos, primeiro, a “luta” que há entre Professores e Governo, porque é devido a isso que a greve aos exames nacionais foi convocada. As terríveis medidas de austeridade e a pseudo reforma do Estado que o Governo quer implementar, vai fazer com que muitos funcionários públicos (ou seja, inclui Professores) sejam colocados na mobilidade especial ou que a partir de Setembro, muitos deles já não tenham trabalho e portanto são atirados para o desemprego e aumentem a taxa que já por si é elevadíssima e incomportável para uma Sociedade onde se fomente o bem-estar. Devido a isto e à insegurança com que esta profissão está a ser vista por quem a pratica, os Sindicatos que a representam e defendem os seus direitos, decidiram marcar uma greve aos exames nacionais, ou seja, última fase importante já depois de acabar o ano letivo. Perguntam, mas não era melhor fazer no início do próximo ano letivo? Era, mas muitos dos Professores (como já referi) estarão já eles no desemprego nessa altura.

Uma greve serve para causar danos, sejam eles quais forem. Na negociação entre Governo e Sindicatos, não existiu bom senso, nem de um lado, nem de outro. A greve aos exames nacionais prejudica, na sua maioria, os alunos e as suas famílias. Estes exames servem de acesso ao ensino superior, portanto são de grande importância para todos os que o fazem. Daqui, sobressai, que o Governo (porque é quem tem que gerir a Escola Pública) e em especial o Ministério da Educação não souberam gerir este problema. O ministro tentou negociar a greve alterando o dia dos exames. Mas o que está em questão não é negociar a greve, é negociar as medidas de austeridade que vão afetar muitos Professores e que os obrigou a fazer a greve. Negociar as condições que levaram à greve é diferente de negociar uma greve. Negociar a própria greve é de uma hipocrisia sem limites pois não há coragem política de negociar as medidas que vão ser implementadas pelo Ministério das Finanças e que, essas sim, levaram à convocação da greve.

Dito isto, os Professores estão a proteger o seu posto de trabalho, participando na greve aos exames nacionais para mostrar ao Governo que estão contra as medidas que estes querem implementar e que os vão afetar de sobremaneira. A greve não pode ser inócua, tem que ter impacto. O Governo quer levar a dele à avante e queria negociar uma nova data para os exames e não as condições que levaram os Professores a fazerem greve. A gestão deste problema tem que pertencer ao Ministro da Educação. Pedir isto, parece que é pedir muito e quem sai prejudicada do que se está a passar é a Escola Pública e principalmente os alunos. Quando realizei há uns anos os exames nacionais, lembro de ser uma época tranquila no que diz respeito a estes problemas mas pelo que me dá a entender, os alunos que hoje em várias escolas invadiram salas de aula onde se estavam a realizar exames enquanto noutras não poderiam ser realizados, estavam a protestar contra o Governo, o mesmo que os mandou emigrar não há muito tempo. Todos os lados da questão têm que ser acautelados, sendo de principal importância os alunos, mas referir que os Professores, que em Setembro muitos deles já nem sabem se têm emprego, são os culpados por não se interessarem pelos alunos e pelo seu futuro, parece-me exagerado quando temos um Governo que se diz a salvar Portugal e a lutar pelo seu futuro, com medidas de austeridade absurdas, sem resultados, colocando de forma constante, ansiedade e desespero na Sociedade e, sobretudo, naqueles que são os protagonistas (os Professores) no ensino dos jovens que serão, um dia, o futuro de Portugal.

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