quarta-feira, 1 de maio de 2013

Dia do Trabalhador baratinho




No momento em que vivemos, os trabalhadores são “baratos” devido a um fator determinante e que afetou todo o mundo Ocidental, principalmente a nossa realidade europeia. Esse fator revela-se na desindustrialização que atingiu, atinge e atingirá os vários setores da nossa Sociedade. Esta desindustrialização que adveio da globalização e da exploração dos modelos capitalistas (queda do muro de Berlim e consequentemente queda dos ideais comunistas em prol de ideias e modelos capitalistas onde a reside a existência de um “mercado livre” de produção e consumo) é a verdadeira determinante que originou a mudança dos processos produtivos para países com mão-de-obra mais barata (principalmente continente asiático). Os direitos e deveres adquiridos outrora no mundo Ocidental com a industrialização e com uma maior estabilidade estão a ser colocados em causa de forma crescente porque os processos produtivos encontram-se em sítios onde esses tais direitos e deveres não são garantidos. Conclui-se, portanto, que para nós o fator fundamental passará pelo setor dos serviços e pelo conhecimento. Ou seja, temos uma indústria de serviços e conhecimento no mundo Ocidental que se tem que capitalizar e aportar valor, sabendo que do outro lado existe uma indústria “sem regras” onde os direitos e deveres por nós adquiridos são uma pura miragem.

Se estamos perante uma desindustrialização dos processos produtivos que estão a ser movidos para locais com modelos de mão-de-obra mais barata, é necessário, portanto, aproveitar as qualificações dos nossos homens e mulheres que são os verdadeiros trabalhadores do conhecimento. Não há outro caminho possível. Podemos, no entanto, recriar processos produtivos que outrora existiam, mas nunca rivalizar com aqueles que implementam modelos de mão-de-obra barata em quantidade, sem direitos, sem deveres, completamente mecanicistas. Essa recriação dos processos produtivos tem que passar por um modelo de mão-de-obra qualificada e, sobretudo, diferenciadora. Esse fator diferenciador é que aportará valor e capitalizará verdadeiramente o conhecimento que advém dos trabalhadores do conhecimento. Não tem que ver com pagar menos ou pagar mais, têm que ver com políticas de desenvolvimento e implementação de modelos de mão-de-obra qualificada e diferenciadora, pois só assim, não colocamos em causa os direitos adquiridos (horas de trabalhos por exemplo), nem os serviços públicos e a ação social do Estado que dependem de um modelo de Sociedade coerente com as potencialidades que possui. Tendo em conta que essa coerência na Sociedade depende do bem-estar de todos, a perseguição de um modelo de Sociedade onde não nos revemos, não oferece esse bem-estar, nem responde aos problemas de uma comunidade que conseguiu, com muita luta e perseverança, tudo o que se festeja neste dia 1 de Maio, Dia do Trabalhador.

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