No momento em que vivemos, os
trabalhadores são “baratos” devido a um fator determinante e que afetou todo o
mundo Ocidental, principalmente a nossa realidade europeia. Esse fator revela-se na desindustrialização que atingiu, atinge e
atingirá os vários setores da nossa Sociedade. Esta desindustrialização que
adveio da globalização e da exploração
dos modelos capitalistas (queda do muro de Berlim e consequentemente queda
dos ideais comunistas em prol de ideias e modelos capitalistas onde a reside a existência
de um “mercado livre” de produção e consumo) é a verdadeira determinante que originou a mudança dos processos produtivos
para países com mão-de-obra mais barata (principalmente continente
asiático). Os direitos e deveres
adquiridos outrora no mundo Ocidental com a industrialização e com uma maior
estabilidade estão a ser colocados em causa de forma crescente porque os
processos produtivos encontram-se em sítios onde esses tais direitos e deveres
não são garantidos. Conclui-se, portanto, que para nós o fator fundamental passará pelo setor dos serviços e pelo conhecimento.
Ou seja, temos uma indústria de serviços e conhecimento no mundo Ocidental que
se tem que capitalizar e aportar valor, sabendo que do outro lado existe uma
indústria “sem regras” onde os direitos e deveres por nós adquiridos são uma
pura miragem.
Se estamos perante uma
desindustrialização dos processos produtivos que estão a ser movidos para
locais com modelos de mão-de-obra mais barata, é necessário, portanto, aproveitar as qualificações dos nossos
homens e mulheres que são os verdadeiros trabalhadores do conhecimento. Não há outro caminho possível.
Podemos, no entanto, recriar processos produtivos
que outrora existiam, mas nunca rivalizar com aqueles que implementam modelos
de mão-de-obra barata em quantidade, sem direitos, sem deveres, completamente
mecanicistas. Essa recriação dos processos produtivos tem que passar por um
modelo de mão-de-obra qualificada e,
sobretudo, diferenciadora. Esse fator diferenciador é que aportará valor e
capitalizará verdadeiramente o conhecimento que advém dos trabalhadores do conhecimento.
Não tem que ver com pagar menos ou pagar mais, têm que ver com políticas de
desenvolvimento e implementação de modelos de mão-de-obra qualificada e
diferenciadora, pois só assim, não colocamos em causa os direitos adquiridos
(horas de trabalhos por exemplo), nem os serviços públicos e a ação social do
Estado que dependem de um modelo de Sociedade coerente com as potencialidades
que possui. Tendo em conta que essa coerência
na Sociedade depende do bem-estar de todos, a perseguição de um modelo de Sociedade onde não nos revemos, não
oferece esse bem-estar, nem responde aos problemas de uma comunidade que
conseguiu, com muita luta e perseverança, tudo o que se festeja neste dia 1 de
Maio, Dia do Trabalhador.
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